Os números NPK são porcentagens em peso de nitrogênio, fosfato (P₂O₅) e potássio (K₂O); para plantas de interior, a proporção e a concentração diluída que você aplica importam muito mais do que o tamanho dos números.
O que os três números representam
Todo rótulo de adubo começa com três números, sempre na mesma ordem. O primeiro é o nitrogênio total (N) em porcentagem do peso do produto. O segundo é o fosfato disponível, expresso como P₂O₅, e o terceiro é o potássio solúvel, expresso como K₂O. Assim, um pacote de 100 g de 20-20-20 contém 20 g de nitrogênio, 20 g de P₂O₅ e 20 g de K₂O, e os 40% restantes são os demais componentes químicos desses sais, micronutrientes e, nos líquidos, principalmente água.
A convenção dos óxidos é uma herança histórica da química do solo do século XIX, e ela importa porque a planta não usa P₂O₅ nem K₂O; ela absorve íons fosfato e potássio.
Convertendo para o que a planta realmente recebe
Para achar o fósforo elementar, multiplique o número do meio por 0,436. Para o potássio elementar, multiplique o último número por 0,83. Um 20-20-20 é, portanto, na verdade cerca de 20% de N, 8,7% de P e 16,6% de K. Dois produtos que parecem idênticos na frente da embalagem podem diferir depois da conversão, e isso explica por que um 1-1-1 “equilibrado” entrega bem menos fósforo do que nitrogênio.
Isso também permite calcular a concentração. Dissolver 1 g de um pó 20-20-20 em 1 litro de água dá 1.000 ppm de produto, dos quais 20% são nitrogênio: 200 ppm de N. É uma adubação forte, de nível de estufa; a maioria dos rótulos para plantas de interior fica bem abaixo disso, e muitos produtores de plantas de interior miram cerca de 50–150 ppm de N a cada aplicação.
Proporção versus concentração
Um 1-1-1 e um 10-10-10 têm a mesma proporção; o segundo é simplesmente dez vezes mais concentrado, então você usa um décimo da quantidade. Adubos líquidos para plantas de interior costumam ter números pequenos porque são principalmente água: segundo os fabricantes, o Miracle-Gro Indoor Plant Food (EUA) é 1-1-1 e o Espoma Organic Indoor! Houseplant Food é 2-2-2. Pós solúveis para diluir em casa costumam trazer 20-20-20 ou 24-8-16. Nenhum é “mais forte” no uso depois de diluído como o rótulo manda; por isso, compare produtos na diluição de uso, não pelos dígitos da frente.
É a proporção que revela a finalidade do adubo. Folhagens usam mais nitrogênio do que qualquer outro nutriente, e é por isso que a proporção 3-1-2 (por exemplo, 9-3-6 ou 12-4-8) é uma escolha profissional comum para plantas verdes.
O mito do adubo de floração e o resto do rótulo
Adubos de “floração” ricos em fósforo, como 10-30-20, não fazem as plantas de interior florirem mais. A floração depende principalmente de luz, maturidade e, em algumas espécies, do comprimento do dia ou de um período de frio; um lírio-da-paz a 1.500 lux não vai florir por mais fósforo que receba. O excesso de fósforo simplesmente é lavado ou, em substratos sem solo, pode atrapalhar a absorção de ferro e zinco.
As letras miúdas abaixo dos números NPK costumam ser mais úteis do que os números em destaque:
- Forma do nitrogênio: nitrato e N amoniacal ficam disponíveis na hora; a ureia precisa ser convertida antes, mais devagar em substrato frio.
- Nutrientes secundários: cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). Substratos à base de fibra de coco, em especial, se beneficiam de Ca e Mg adicionais.
- Micronutrientes: ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu), boro (B) e molibdênio (Mo). Substratos sem solo fornecem muito pouco deles.
- Ferro quelatado (indicado como EDTA ou DTPA) continua disponível no pH levemente ácido da maioria dos substratos.
- Matérias-primas: mostra os sais ou as fontes orgânicas de fato, útil se você quer evitar ureia ou conferir insumos orgânicos.
