Substratos e adubos

Vaso de barro ou de plástico: como o material muda a rega

O barro sem esmalte perde água pelas paredes e seca mais rápido que o plástico. Veja que plantas combinam com cada um, por que surge crosta de sal e como ajustar a rega.

O PONTO-CHAVE

Use terracota para plantas que gostam de secar, como suculentas, espada-de-são-jorge e zamioculca, e plástico ou vaso esmaltado para as que querem umidade constante, como lírio-da-paz e samambaias.

O que a parede do vaso faz

A terracota sem esmalte é argila queimada cheia de poros microscópicos. A água passa do substrato para a parede por capilaridade e evapora pela superfície externa, então o vaso perde umidade por toda a lateral, não só por cima. Essa evaporação também resfria levemente a zona das raízes e deixa entrar um pouco de ar na borda do torrão, por isso as raízes muitas vezes se agarram à parede interna do vaso de barro. Num cômodo quente e claro, um vaso de terracota costuma secar bem mais rápido do que um de plástico idêntico.

O plástico é impermeável, então a água sai apenas pela superfície e pelos furos de drenagem, e o substrato fica uniformemente úmido por mais tempo. Cerâmica esmaltada, terracota pintada ou impermeabilizada e vasos de resina ou fibra de vidro se comportam como plástico, seja qual for a aparência.

Onde a terracota vale a pena

O barro combina com plantas que querem o substrato bem seco entre as regas: cactos e suculentas, babosa, espada-de-são-jorge (Dracaena trifasciata), zamioculca e Hoya. Também perdoa quem tende a regar demais, já que o vaso trabalha contra o encharcamento. O peso dá estabilidade a plantas altas ou pesadas no topo, que tombariam num vaso de plástico.

As desvantagens são reais. O barro quebra, e um vaso de 30 cm com substrato molhado é pesado para carregar. Minerais da água dura e sais do adubo migram pela parede e secam como uma crosta branca por fora e na borda; folhas ou caules apoiados numa borda com crosta podem queimar. Algas verdes por fora são inofensivas. Deixe um vaso de terracota novo e totalmente seco de molho em água por uns 30 minutos antes de plantar, ou ele vai puxar água do substrato novo e da muda.

Onde o plástico leva vantagem

O plástico é a melhor escolha para plantas que não gostam de secar, como lírio-da-paz (Spathiphyllum), samambaia-americana (Nephrolepis exaltata), calateias e avenca, e para qualquer planta numa janela quente e ensolarada, onde o barro pediria água a cada um ou dois dias. Também é prático para vasos suspensos e plantas grandes, em que o peso importa, e como vaso interno leve dentro de um cachepô decorativo.

O risco vai no sentido oposto. Com pouca luz, ou num vaso muito maior que o torrão, o plástico mantém o substrato molhado tempo suficiente para as raízes sufocarem e apodrecerem. Se escolher plástico, escolha um tamanho justo, 2–5 cm mais largo que o torrão, e verifique a umidade em vez de regar pelo calendário.

Trocar de material sem surpresas

Mude uma coisa de cada vez. Se passar uma planta para um material novo, um tamanho novo e um substrato novo de uma só vez, você perde a noção de como ela vai secar. Mantenha o tamanho do vaso e o substrato ao trocar de material e reaprenda o ritmo em duas ou três regas.

  • Do plástico para a terracota: comece a verificar 2–3 dias antes do que costumava.
  • Da terracota para o plástico: aumente o intervalo e confira se os 2–5 cm de cima estão secos antes de regar.
  • Cachepôs: retire a água que sobrar dentro deles em 15–30 minutos após a rega.
  • Reaproveitar vasos de barro: esfregue a crosta de sal, deixe de molho em 1 parte de vinagre branco para 3 de água e enxágue bem.
  • Desinfete vasos usados de qualquer material com 1 parte de água sanitária para 9 de água por 10 minutos e depois enxágue.
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