A maioria das plantas de interior comuns se vira bem com 40–60% de umidade relativa. Só plantas de folhas finas, como calateias e samambaias, precisam de 50–70%, e um umidificador limpo é o único jeito confiável de chegar lá.
Por que o ar fica tão seco
A umidade relativa (UR) é quanto vapor de água o ar contém em comparação com o máximo que poderia conter naquela temperatura, e o ar quente comporta muito mais. Ar externo a 0 °C e 80% de UR, aquecido a 21 °C dentro de casa, cai para cerca de 20% de UR sem perder uma gota de água. É por isso que cômodos aquecidos no inverno costumam ficar com 20–35% de UR, mais secos que muitos desertos. No Brasil, o mesmo acontece nos meses secos do Centro-Oeste e do Sudeste e em ambientes com ar-condicionado ligado o dia todo.
O ar seco puxa água das folhas mais rápido, pelos estômatos. Plantas com cutícula grossa e cerosa quase não percebem, enquanto espécies de folhas finas perdem água mais rápido do que as raízes conseguem repor, e as bordas e pontas das folhas secam e ficam marrons.
Meça antes de comprar qualquer coisa
Um higrômetro digital custa pouco e acaba com o achismo. Coloque-o na altura das folhas, no meio das plantas, longe de janelas, aquecedores e da névoa de qualquer umidificador, e confira de manhã e à noite por alguns dias. A maioria dos aparelhos domésticos tem precisão de cerca de ±3–5% de UR, o que é mais que suficiente.
Não trate pontas marrons como prova de que o ar está seco. Flúor na água da torneira, acúmulo de sais, rega irregular e dano às raízes causam o mesmo sintoma. Se o higrômetro marca 45% e as pontas continuam escurecendo, olhe as raízes e a sua água antes de olhar o ar.
Quais plantas realmente se importam
A estrutura da folha prevê a necessidade de umidade melhor do que qualquer etiqueta. Folhas grossas, coriáceas ou suculentas retêm bem a água; folhas finas e papiráceas, não.
- Espada-de-são-jorge, zamioculca, babosa, ficus-elástica (Ficus elastica), Hoya: 30–50% de UR está ótimo.
- Costela-de-adão, jiboia, filodendro, lírio-da-paz, clorofito: se viram bem com 40–60%.
- Calateias (Goeppertia), maranta (Maranta), fitônia (Fittonia), avenca (Adiantum): preferem 50–70%.
- Sinais de ar seco demais para a planta: bordas secas nas folhas novas e folhas novas que grudam ou rasgam ao se desenrolar.
Borrifar, bandejas com pedrinhas e agrupar: os números honestos
Borrifar eleva a umidade em volta da planta por alguns minutos; num cômodo ventilado, as gotículas evaporam e se dispersam quase na hora. Borrifar com frequência em ar parado pode fazer mais mal do que bem, porque folhas que continuam molhadas favorecem manchas foliares por fungos e bactérias. Bandejas com pedrinhas têm efeito desprezível na escala do cômodo; seu principal uso é manter o vaso acima da água drenada.
Agrupar plantas traz um pequeno benefício local, já que cada uma transpira para o ar compartilhado. Para um punhado de plantas realmente exigentes em umidade, uma cristaleira fechada ou um terrário grande funciona bem, desde que tenha um pequeno ventilador para o ar não ficar parado. O banheiro só ajuda se também tiver luz suficiente.
Use o umidificador do jeito certo
Um umidificador é o único meio prático de manter um cômodo com 50% ou mais. Os modelos evaporativos passam ar por um pavio úmido e dificilmente umidificam demais. Os ultrassônicos são silenciosos, mas com água de torneira dura soltam um pó mineral branco e fino; por isso, abasteça-os com água destilada ou desmineralizada. Dimensione o aparelho para o cômodo segundo os dados do fabricante e esvazie, enxágue e limpe o reservatório toda semana para evitar a proliferação de bactérias e mofo.
Mire 45–55% nos períodos secos. Acima de cerca de 60%, a água condensa nos vidros frios das janelas e nas paredes, o que leva a mofo em caixilhos e reboco. Um benefício extra: elevar a umidade também desacelera o ácaro-rajado, que prospera justamente no ar quente e seco que os cômodos aquecidos produzem.
