Deixe de molho por 10–30 minutos até a superfície escurecer, drene bem e, a cada quarta ou quinta rega, regue por cima até escorrer para lavar os sais.
Como a água sobe da bacia
A rega por baixo depende da ascensão capilar: a água é puxada para cima pelos pequenos poros entre as partículas do substrato, como uma toalha de papel absorve um líquido derramado. Substratos finos à base de turfa e fibra de coco puxam bem a água. Misturas grossas para aráceas, com muita casca e perlita graúda, têm poros grandes que interrompem a cadeia capilar, e a parte de cima do vaso pode continuar seca por mais tempo que ele fique na água.
A altura do vaso também conta. Num vaso de substrato comum com mais de cerca de 20 cm de profundidade, a camada de cima pode nunca se molhar por baixo. Esse é o principal motivo pelo qual a rega por baixo funciona melhor em vasos pequenos e médios de substrato fino, e por que você deve sempre checar se a superfície escureceu em vez de supor que sim.
Uma rotina de molho que funciona
Deixar de molho é um processo controlado e acompanhado, não um jeito de deixar plantas na água.
- Use uma bacia ou pia com 2–5 cm de água em temperatura ambiente; o vaso precisa ter furos de drenagem abertos.
- Deixe o vaso ali por 10–30 minutos, até a superfície escurecer ou o vaso ficar claramente mais pesado.
- Complete a água da bacia se a planta beber tudo nos primeiros minutos; substrato muito seco tem muita sede.
- Tire o vaso e deixe drenar numa grade por 10–15 minutos antes de devolvê-lo ao cachepô.
- Nunca deixe um vaso na água por horas; o substrato saturado fica sem oxigênio e as raízes começam a sufocar.
As plantas que mais ganham
A rega por baixo é mais valiosa para plantas cujas folhas ou coroas não gostam de ficar molhadas. Violetas-africanas (Saintpaulia) e estreptocarpos (Streptocarpus) ficam com anéis claros quando água fria respinga nas folhas. O cíclame apodrece facilmente se a água se acumula sobre o tubérculo. A espada-de-são-jorge (Dracaena trifasciata) apodrece na base quando a água empoça na roseta de folhas.
Também é o melhor resgate para um torrão que secou tanto que se descolou da parede do vaso. Turfa e fibra de coco secas ficam hidrorrepelentes, e a água da rega por cima simplesmente desce pela fresta e sai pelo fundo. Um molho de 20–30 minutos reumedece toda a massa. Bandejas de sementes e vasos recém-semeados também se beneficiam, porque a rega por cima desloca as sementes.
Onde a rega por baixo dá errado
A água entra por baixo e evapora por cima, levando consigo minerais dissolvidos e sais de adubo. Ao longo dos meses, eles se concentram na camada superior e aparecem como uma crosta branca. A solução é simples: a cada quarta ou quinta rega, regue por cima até que 10–20% escorra pelos furos de drenagem, levando os sais para baixo e para fora. Pelo mesmo motivo, é melhor aplicar adubo líquido por cima do que misturá-lo na água do molho.
Uma bacia compartilhada também é um caminho compartilhado de doenças. Oomicetos como o Pythium se espalham pela água parada, e larvas de mosquitinhos-do-substrato podem passar de um vaso para outro. Se precisar, deixe de molho juntas só as plantas saudáveis, mas coloque qualquer planta com amarelecimento, murcha ou suspeita de podridão de raízes num recipiente próprio, e troque a água entre as levas.
